quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO






PRIMEIRA IGREJA PRESBITERIANA DE JOÃO PESSOA
ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL – CLASSE TEMÁTICA
TEMA:                        LIVRO DO APOCALIPSE

ü Principais Escolas de Interpretação do Livro do Apocalipse

1 – ESCOLA PRETERISTA
O ponto de vista preterista considera a interpretação histórica do Apocalipse seriamente, relacionando-a com seu autor original e o público. Isto é, João destinou seu livro para as verdadeiras igrejas que enfrentaram terríveis problemas no século 1º d.c.
Partindo desse pressuposto, os preteristas advogam que há dois propósitos principais e fundamentais relativas aos ouvintes originais. Em primeiro lugar, foi projetado para fortalecer a igreja do século 1º contra uma tempestade de perseguições. Em segundo lugar, foi para reforçar a igreja para uma reorientação fundamental no rumo da história redentora, pois o foco não era somente da aliança antiga de Israel, mas do Cristianismo apostólico (At. 1.8; 15.2) e o tempo (Mat. 24.1-34 e Ap. 11).

2 – ESCOLA FUTURISTA
Tudo o que é profetizado no livro a partir do capítulo 4 tem a ver com os últimos dias, sem nenhuma aplicação na história da igreja. O ponto de vista futurista divide-se em duas correntes: A Moderada (ou Pré-Milenarismo Histórico) e a Extrema (ou Pré-Milenarismo Dispensacionalista). Embora haja grandes divergências de interpretação entre essas duas vertentes hermenêuticas, elas concordam que o propósito do livro de Apocalipse é descrever a consumação do propósito redentor de Deus no fim dos tempos. O ponto de vista moderado não vê razão, como o extremo, de fazer uma diferença tão definida entre Israel e a Igreja. O povo de Deus que sofre a perseguição feroz e a igreja. Também não vê razão para reconhecer nas sete cartas uma predição de sete períodos da história da igreja. Não há qualquer evidência interna para tal interpretação, há apenas sete cartas para sete igrejas históricas.

3 – ESCOLA HISTÓRICA
Este método encara o Apocalipse como uma profecia simbólica de toda a história da Igreja até a volta de Cristo e o fim dos tempos. Assim, o livro de Apocalipse é uma profecia da história do Reino de Deus desde o primeiro advento de Cristo até o segundo advento. O livro é rico em símbolos, imagens e números: ele está dividido em sete seções paralelas progressivas – sete candeeiros, sete selos, sete trombetas e sete tacas.
Agostinho, os Reformadores, as Confissões Reformadas e a maioria dos grandes Teólogos seguiram essa linha.

ü Correntes de Interpretação do Livro do Apocalipse

1 – PÓS-MILENARISTA
Ensina que a segunda vinda de Cristo se seguirá a um longo período de retidão e paz, chamado de milênio. O milênio se encerrará com a segunda vinda de Cristo, a ressurreição e o julgamento final. Em suma, os pós-milenistas apresentam um reino espiritual nos corações dos homens. O pós-milenismo crê que o mundo vai ser cristianizado e que teremos um grande e poderoso reavivamento, produzindo um crescimento espantoso da igreja a ponto da terra encher-se do conhecimento do Senhor como as águas cobrem o mar. O pós-milenismo foi o ponto de vista defendido praticamente por todos os grandes protestantes e comentaristas evangélicos conservadores durante o século XIX. Homens como Jonathan Edwards, Charles Hodge e Benjamim Wanfield, os famosos teólogos do seminário de Princeton, foram defensores do pós-milenismo.
Essa corrente, contudo deixa de perceber que antes da vinda de Cristo estaremos vivendo um tempo de crise e não um tempo de despertamento espiritual intenso e universal. Devemos rejeitar essa corrente. Parece-nos que o otimismo incontido dos mestres do pós-milenismo desfez-se no dramático realismo do século XX, com duas sangrentas guerras mundiais e o mundo sendo abocanhado pelo comunismo ateu. Millard Erickson interpreta corretamente quando diz que o forte declínio da popularidade do pós-milenismo é resultado mais das considerações históricas do que exegéticas.
O pós-milenistas não é literalista no que diz respeito à duração do milênio: o milênio é um período longo de tempo, não necessariamente mil anos medidos pelo calendário. O milênio terminará com a segunda vinda de Cristo, em vez de começar com ela.

2 – PRÉ-MILENISTAS DISPENSACIONALISTA
Ensina que a segunda vinda de Cristo não seguirá, mas precederá o milênio.
John Nelson Darby descreveu a vinda de Cristo antes do milênio, consistindo de dois estágios: o primeiro, um arrebatamento secreto removendo a igreja antes da grande tribulação devastar a terra; o segundo, Cristo vindo com seus santos para estabelecer o reino.
Um dos maiores fatores para o crescimento do dispensacionalismo no meio evangélico foi a Bíblia Anotada de Scofield. Essa bíblia foi publicada em 1909 e desde então tem longa aceitação nos Estados Unidos e em quase todo o mundo. Scofiel divide a bíblia em sete dispensações:

(1ª) Inocência         desde Adão até a queda;
(2ª) Consciência    desde a queda até o Dilúvio;
(3ª) Governo            desce o Dilúvio até Abraão;
(4ª) Promessa         desde Abraão até Moisés;
(5ª) Lei                        desde Moisés até o Calvário;
(6ª) Graça                  desde o Calvário até a Grande Tribulação;
(7ª) Reino                  desde a Grande Tribulação até o fim do reinado de Cristo por mil anos na terra.

Dentro dessa visão dispensacionalistas, a igreja é apenas um parêntesis na história, equivocadamente se pensa que a igreja é o mistério que não tinha sido previsto pelos profetas no Antigo Testamento.
Eis alguns ensinos do Pré-milenistas dispensacionalistas:
a)    Distinção entre Igreja e Israel no tempo e na eternidade;
b)    O reino de Deus adiado para o milênio terreno;
c)     A crença num arrebatamento secreto, seguido de uma segunda vinda visível;
d)    A ideia de que a igreja não passará pela grande tribulação;
e)    A idéia de que teremos várias ressurreições;
f)      A idéia de que haverá chance de salvação depois da segunda vinda de Cristo.

3 – PRÉ-MILENISTAS HISTÓRICO
Ensina que as profecias do Antigo Testamento precisam ser interpretadas à luz do Novo Testamento para obter-se seu significado mais profundo. Por isso o Novo Testamento aplica profecias do Antigo Testamento à igreja neotestamentária, e assim fazendo, identifica a igreja com o Israel Espiritual (Rom. 9.24-26). Romanos 4.11; Colossenses 3.24 ensina também que o povo de Deus que sofre a perseguição feroz é a igreja. Não aceita que no milênio será restaurados os sistemas sacrificiais do Antigo Testamento, quer memoriais ou não, pois isso opõe-se diretamente a Hebreus 8.13.

4 – AMILENISTAS
Ensina que não há um milênio literal. Acredita-se que o milênio é um período indeterminado que via da primeira à segunda vinda de Cristo.
O Amilenismo tornou-se a interpretação dominante no Concílio de Éfeso em 431 d.C. Daí para frente crer num milênio terrenal era considerado superstição. Os reformadores protestantes continuaram com o Amilenismo Agostiniano. As Confissões Reformadas, sem exceção, abraçaram também o Amilenismo. Essa corrente parece-nos a que mais consistentemente interpreta o livro do Apocalipse com integridade hermenêutica.
O termo A-milenismo não é muito feliz, diz Antony Hoekema, pois sugere que os amilenistas não crêem no milênio ou não levam em conta os primeiros seis versículos de Apocalipse 20, que falam de um Reino de Mil anos. Os Amilenistas, embora creiam no milênio, não o interpretam de forma literal. O Amilenismo crê que o milênio está hoje em processo de realização. Ele vai da primeira à segunda vinda de Cristo. Por isso, Jay Adams sugeriu que o termo Amilenismo seja trocado por milenismo realizado. Antony Hoekema diz que hoje vivemos a tensão entre o “já” e o “ainda não”. Já estamos no Reino, mas ainda não na sua plenitude. O Reino chegou. Ele está dentro de nós, mas ainda não na sua consumação final.
Antony Hoekema sintetiza a visão do milênio conforme a interpretação amilenistas, nos seguintes termos:
Os amilenistas entendem que o milênio mencionado em Apocalipse 20.4-6 descreve o presente reinado das Almas dos crentes falecidos que estão com Cristo no céu. Eles entendem que a prisão de Satanás que se menciona nos primeiros três versículos deste capítulo estão em efeito durante todo do período entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, ainda que terminará pouco tempo antes do regresso de Cristo. Ensinam, pois que Cristo regressará depois deste reinado celestial de mil anos.

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